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AÇÕES DA SBC VISAM PARTICIPAÇÃO NA FORMAÇÃO DE POLÍTICAS DE SAÚDE
Para evitar que as políticas de Saúde em relação às doenças
cardiovasculares continuassem a ser definidas de cima para baixo, sem
que sejam ouvidos os médicos especialistas, a Diretoria da SBC iniciou
nos últimos meses uma série de ações para interferir positivamente na
formulação dessas políticas.
Essa colocação, do presidente Antonio Carlos Palandri Chagas, é
explicada pelo diretor de Qualidade Assistencial, Emílio César Zilli.
Para ele, “tradicionalmente as políticas são montadas dentro dos
gabinetes e não há uma preocupação em ouvir os cardiologistas, embora as
autoridades insistam que a maior causa de morte no Brasil são as doenças
cardiovasculares”. Para Zilli, é o cardiologista que tem condições de
ser a verdadeira inter-face entre o paciente e as autoridades
governamentais. É êle que, próximo ao seu paciente, tem condições de
avaliar o verdadeiro impacto das políticas de saúde na morbimortalidade
vascular.
“Somos nós que recebemos pacientes com problemas decorrentes de
hipertensão, que se queixam ou de que nunca foram avisados da existência
do problema, ou de que não conseguem o anti-hipertensivo receitado,
porque está em falta nas farmácias dos hospitais e postos de saúde”,
exemplifica ele. São os cardiologistas que sabem, através da clientela
que atendem, onde está falhando a política pública de saúde, conclui.
Foi justamente para mudar essa situação que a Diretoria da SBC atuou
junto ao ministro da Saúde, que foi sensível ao pleito. Ele indicou o
coordenador da área técnica do Ministério, Ricardo Cavalcanti, para
dialogar diretamente com a SBC, tanto que foi um dos conferencistas no
referente “Forum de Qualidade Assistencial”, realizado em São Paulo. E
Zilli informa que encontra-se em fase final a elaboração de um acordo de
cooperação entre a SBC e o MS para atuação nas áreas de Políticas
Públicas de Saúde Cardiovascular
A área federal também esteve presente no principal evento para
interferir na política de Saúde, o encontro de Salvador para definir as
Diretrizes Brasileiras sobre Diagnóstico, Tratamento e Prevenção da
Febre Reumática, do qual participou o presidente da Câmara dos
Deputados, Arlindo Chinaglia, que é médico.
Também com a área federal está sendo acertada a participação da SBC no
futuro Centro de Referência da Saúde do Homem.
Para Carlos Alberto Machado, do Departamento de Hipertensão da SBC,
“prioriza-se há anos a Saúde da Mulher, há campanhas pela Saúde da
Criança, do Idoso”, mas embora a hipertensão seja o principal fator de
risco de 40% dos enfartos e 80% dos derrames, sendo responsável por mais
de 50% das mortes por doenças cardiovasculares que ocorrem no Brasil,
primeira causa de mortalidade, nunca houve um programa específico
voltado para a saúde do homem, não que os demais programas não sejam
importantes.
O cardiologista explica que as V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão
Arterial mostram que apenas 50.8% dos hipertensos sabem de sua condição,
que só 40,5% estão em tratamento e uma percentagem menor ainda, 10,4%
tem a hipertensão efetivamente controlada. “A SBC mostrou para o governo
federal que se tivéssemos um programa contra a hipertensão, sem solução
de continuidade, que fosse umas das prioridades, um programa estratégico
do governo , poderíamos reduzir a morbidade e a mortalidade
cardiovascular em nosso país”, afirma Machado.
Zilli diz que a mesma reação positiva foi sentida junto às outras áreas
do governo, tanto que no caso da Febre Reumática o presidente da Câmara
dos Deputados, Arlindo Chinaglia, participou do encontro, bem como os
secretários da Saúde da Bahia e do município de Salvador, o que
significa governos federal, estadual e municipal.
NO ESTADO DE SÃO PAULO
Dentro da mesma linha de interferir positivamente na formulação das
políticas de Saúde, Carlos Alberto Machado conta que a SBC vai assinar
um acordo de cooperação com a Secretaria da Educação de São Paulo.
O acordo facilitará o acesso da SBC ao Programa “Escola da Família” e à
“Rede do Saber”, através das quais já estão sendo feitas apresentações e
alertas em videoconferência para 2.200 escolas estaduais. Os temas, os
mais variados, álcool e droga, riscos do colesterol alto, o tabaco como
fator de risco, hipertensão e os demais fatores de risco cardiovascular.
No setor industrial, a SBC assina uma ratificação de um acordo de
cooperação com a Conferencia Nacional da Indústria / Serviço Social do
Comercio – CNI/SESI, que há 10 anos leva um programa de prevenção de
doenças cardiovasculares para 30 milhões de brasileiros, trabalhadores e
seus familiares, das indústrias ligadas a CNI/SESI.
Para o presidente da SBC, esse esforço bem sucedido para influir na
formatação das políticas de Saúde faz parte da missão maior da SBC, e é
tão importante como as atividades científicas da sociedade, à medida em
que representa o viés social, que também é missão do cardiologista. No
entender de Chagas, ao abraçar esse tipo de atividade, e é a SBC como um
todo que abraça, com envolvimento de centenas de seus associados, a
entidade passa a funcionar também como um porta-voz da demanda dos
pacientes cardíacos, levando suas necessidades, sugestões e exigências
de melhor atendimento aos mais altos níveis governamentais.
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Fonte: Assessoria de Imprensa da SBC
Jornalista Responsável: Luiz Roberto de Souza Queiroz
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